quinta-feira, 17 de maio de 2012

Novos padrões de consumo - Como serão as compras do futuro?



Qual foi a última peça de roupa que você comprou? Uma blusinha rendada para impressionar o boy? Um vestido arrasante para impressionar a sogra naquela festa de família? Um chapéu maluco para atrair olhares desprevenidos na rua?

Não importa qual tenha sido o item, certamente você o comprou por algum motivo. Nossas compras são impulsionadas por uma série de razões que às vezes escapam ao nosso consciente. Aliás, cada vez mais, nossas compras têm sido motivadas pelo inconsciente.

Os deuses do Marketing apregoam que o processo de escolha de uma marca pelo consumidor passa por algumas etapas, como pesquisa, validação, criação de juízo de valor etc.

Tendo como base essas, e uma baciada de outras informações, a pesquisadora Melinda Davies, em trabalho publicado em 2003, enumerou cinco características que vão pontuar o perfil de compras do consumidor do futuro – e não necessariamente um futuro distante.
Está começando seu negócio? Quer fazer sua moda render milhões? Então fica esperto nas dicas de Melinda:


1 – A Modernidade Líquida Evaporou
Vivemos a era do intangível. Trabalhamos com meios abstratos e o concreto tem ocupado progressivamente menos espaço em nosso cotidiano. Pesquisa exposta no livro de Melinda aponta que 54% das pessoas dizem se ocupar mais com tarefas mentais que com obrigações concretas. Trocando em miúdos, estamos submergindo no subjetivo. A prova disso é que ativos abstratos como marca e capital intelectual vêm ganhando mais e mais espaço na balança comercial das empresas. Podemos citar como exemplo as contendas judiciais da Christian Louboutin contra a Yves Saint Laurent e contra a brasileira Carmen Steffens pela propriedade do vermelho – sim, a cor!!!


Portanto, tome muito cuidado com o que você faz com a sua marca. Se deseja se alçar como uma grife respeitada ou como um blogueiro de sucesso, não vá se enfiando em qualquer ação. Conheça seu público e ofereça produtos que vão de acordo com seus desejos e necessidades. No mundo do marketing das modas, você faz a fama, deita na cama e pode nunca mais sair dela!



2 – Válvulas de escape
O mundo está opressivo. O chefe cobra resultados, os filhos cobram atenção, a esposa cobra explicações sobre a mancha de batom no colarinho e assim nós vamos vivendo de amor – só que não. A tendência é que consumamos pequenos momentos de despressurização  e que a própria experiência de compra se torne mais prazerosa, então pode dar tchau para aquela vendedora pentelha que fica tentando te empurrar aquele colete cargo de veludo cotelê abóbora e investir as fichas em mecanismos que tornem a compra e a experiência com o produto o mais aprazíveis possível.


3 – Mercado Matrioshka
Assim como as bonequinhas russas e como no filme “Inception”, os pesquisadores descobriram que o mercado é muito mais fragmentado que imaginaram. Existe um segmento, dentro de um segmento, dentro de um segmento... O conceito de “mercado de massa” está fragilizado e o que conta pontos agora é conhecer muito bem o perfil do seu cliente e seu estilo de vida.


4 – Eu robô?!
Lembra aquele chavão “somos todos iguais na diferença”? Pois nunca esteve tão em voga. Quem aí deseja sair na rua e dar de cara com alguém vestido da mesmíssima forma que si? A demanda por produtos e serviços personalizados cresceu e tende a se expandir. Os tênis da linha NikeID por exemplo, são completamente customizáveis. Claro que esse tipo de serviço implica em um maior investimento em logística, mas o retorno promete!




5 – Até que a morte nos separe
Relacionamento Marca&Cliente não é nenhuma novidade. Aliás, é sobre isso que o marketing is all about. Acontece que dentro dessa cena de alto teor de subjetividade e de fragmentação de mercados, precisaremos de alguém que nos guie. Por que não fazer da sua marca a estrela guia de um consumidor perdido? Ele deseja – e desejará com muito mais afinco – caminhar ao lado de uma marca que o compreenda e que divida com ele valores comuns. Tudo indica que seu novo grande guru, seu novo horóscopo, seu norte terão o nome acompanhado de um ®. Escolha com cuidado!

quinta-feira, 3 de maio de 2012

Minas Meu Amor

Foto de Vanessa Kohler

Viajar é despedaçar-se. Da mesma forma que sente falta do pedaço perdido, aquele que viaja completa-se com as porções que lhe eram alheias, mas que agora lhe são mais próprias do que nunca. O viajante sai e dilacera-se, mas volta para casa mesmerizado, evoluído. Foi assim que retornei de minha recente viagem a Belo Horizonte.

Fui convidado a prestigiar o casamento da minha querida amiga Cris Guerra. Ela dispensa apresentações, mas caso alguém ainda não a conheça, é a dona do Hoje Vou Assim, primeiro blog de looks do dia do país e onde assino coluna semanal.

Foto de Luiza Villarroel

Minas, ao invés de São Paulo, vive no hoje. A metrópole paulistana vive o amanhã, o daqui seis meses, o longo prazo inexistente. Já Minas vive para o presente e talvez seja por isso que o mineiro se entregue com tanta alma naquilo que faz. Prova viva, faladeira e engraçadíssima disso é Odette Castro. Mãe de coração da Cris, Odette foi a responsável pela decoração do casório. Cada detalhezinho de cada arranjo deixa transparecer o cuidado e o zelo de seu trabalho. Odette não fez decoração, mas sim de-coração. As cúpulas de tecido que faziam das taças abajures, as cadeiras personalizadas, as bolas coloridas espalhadas pelo lugar, as fitas, os laços, as flores, tudo transbordava o carinho das suas mãos cuidadosas.

Odette Castro <3 por Samuel Costa/Fotoarena

No mineiro senti muita bondade, mas mais do que isso, uma entrega muito grande. Da garçonete ao mestre de cerimônia, o que se sente é uma doação tão sincera de si mesmo que é tocante. Enquanto que São Paulo aduba uma cultura de eficiência e punição, Minas adoça um conjunto de significados que versam sobre o carinho. Minas me fez acreditar ainda mais que é possível e muito recomendável contentar-se com a alegria do outro. Fez-me crer que quem me beija os amigos, adoça meus lábios e que felicidade é como um vinho bom, que quando aproveitado na solidão, fica tristonho.

Foto de Luiza Villarroel

Se o viajante de fato se dilacera e se compartimenta, se reconstrói e se reinventa e deixa, por cada canto em que passa, um pouquinho de si, fico convicto de que em Minas, ficou uma parte do meu coração.

Foto de Vanessa Kohler

Atualização: Salva de palmas também para o maravilhoso trabalho de Camilla Baetta, que também assinou a concepção criativa e executiva da cerimônia, além de ter se esmerado um bocado nos arranjos florais. 

terça-feira, 17 de abril de 2012

Olha eu no Moda Camp!



Você conhece o Moda Camp? Se ainda não, está perdendo! O evento organizado pelo Istituto Europeo di Design reúne profissionais de diversos campos das modas para compartilhar seus pontos de vista a respeito da da nossa tão querida Moda.

Nos dias 26 e 27 deste mês acontece a segunda edição do evento, que conta com a presença de gente muito bacana, como Claudia Garcia, diretora de redação da Revista Manequim; Elio Fiorucci, empresário da gigante do jeans Fiorucci, Jô Souza, professora da FAAP, Belas Artes, Panamericana e FMU e muitos outros.

Esta edição traz uma novidade: além das palestras, os espectadores poderão assistir ao BarCamp. Um conjunto de breves apresentações (15 minutinhos) sobre temas diversos a respeito de moda. Um esquenta para os neurônios do pessoal chegarem fervendo nas palestras.

E adivinha quem abre o BarCamp??? O blogueiro pentelho que vos fala!!! Isso mesmo! Usarei meu tempo para falar sobre o "Eterno Retorno das Modas", tema sobre o qual já escrevi aqui.

Então, não se esqueçam! Minha fala acontece no dia 26, às 15h

E quem não for, está condenado a uma eternidade e seis meses usando crocs!!!!!



* * *
Moda Camp
Istituto Europeo di Design
R. Maranhão, 617 - Higienópolis, São Paulo
26 - 27/4 às 15h
Confira o programa completo aqui

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Pompa e circunstância? Como é o “Cavalheiro Moderno”?


Chuck Bass

“Como está você? Consente-me que eu a reconduza a sua cadeira? Posso merecer a felicidade de acender seu cigarro? Boa noite” dizia o rapaz de fraque à moça de cloche em uma tira da Revista O Cruzeiro de 1928.

Os tempos mudaram. O Charleston caiu de moda, surgiram os métodos contraceptivos e as mulheres passaram a usar calças compridas. Acontece que no meio de tudo isso, os cavalheiros parecem ter ficado para trás. As mulheres conquistaram independência e isso confundiu os homens. Parece que o discurso por direitos iguais resultou em tratamentos iguais - e não no bom sentido. Não é preciso fazer nenhuma pesquisa antropológica para flagrar rapazes tratando suas namoradas como se fossem seus companheiros de truco. Mas então, que deve fazer o rapaz que deseja ser um verdadeiro Gentleman Moderno sem cair no tom antiquado do primeiro parágrafo?

“Acho que gentleman hoje em dia é o cara que não tem problemas em dividir tarefas tidas como femininas, como lavar louça, por as suas roupas para lavar e até mesmo ir na farmácia comprar absorvente pra namorada!” Diz a blogueira Narda Negrão. Mais do que anéis, buquês de flores e chocolates, parece que as mulheres se satisfazem com pequenas gentilezas corriqueiras. Aquelas antigas regras como abrir a porta do carro e puxar a cadeira para ela se sentar ainda estão em voga! “Essas coisas mostram que o cara está cuidando de mim e me fazem sentir querida” Diz Vanessa Madalena Santos, que trabalha na seção de eventos da Editora Abril.

Amô

O manual do Cavalheiro Moderno, entretanto, tem capítulos que vão além das pequenas finezas citadas acima. O designer paulistano Jorge Guberte define: “Acho que um cavalheiro moderno é um cara compreensivo que sabe ceder e que sabe reconhecer a força da mulher. Não impõe, mas também não se submete. Enfim, dialoga com a dama moderna em pé de igualdade”. Respeito parece ser a chave que ajuda a resolver o secular enigma que pretende desvelar as vontades femininas. Cris Guerra, blogueira do Hoje Vou Assim acrescenta: “O cavalheiro moderno sabe ouvir a mulher e se permite mudar de opinião, convencido pelos argumentos dela. A conversa dele com ela é ponderação, não é imposição de ponto de vista”.

A questão do cavalheirismo expande as fronteiras do relacionamento amoroso. “As pessoas não se respeitam mais hoje!” Reclama a editora de moda do portal Closet On Line, Cecilia Lima “Eu vejo isso pelas viagens de avião que faço. É um salve-se quem puder! Todo mundo se empurrando... e o pior” Ela comenta “É quando o cara vê que você está com uma bagagem de mão pesada e não faz o menor esforço para te ajudar com o bagageiro!”. De fato, a mulher moderna precisa de um cavalheiro que compreenda suas necessidades modernas. “Além de fazer um esforço para se lembrar das datas importantes, é fundamental que ele não fique xeretando no meu email e no meu facebook!” Recomenda a jornalista Liliane Ferrari. O respeito é uma constante e atesta-se que não existe cavalheirismo sem ele. De que vale um presente caro ou um elogio pontual se não existe respeito? Sem ele tudo soa meio falso.

cavalheiro

Mas e quando o assunto é entre homens, apenas? As mulheres já estabeleceram um “regulamento” tácito que diz que é o homem quem paga o jantar, abre a porta do carro e as busca em casa. Mas e no mundo gay, em que se baseia o cavalheirismo? Constata-se que se entre os casais hétero o cavalheirismo tem como intenção, mesmo que velada, o cortejo e o coito; entre os casais gays todo esse protocolo tem como objetivo manter o equilíbrio da relação. Existe um revezamento entre quem busca quem em casa ou entre quem paga a conta do restaurante. Aqui não é necessário abrir a porta do carro ou presentear com um ramo de flores por semana. O que basta é educação e respeito – olha ele aqui de novo!

Agora, em um quesito hétero e homossexuais concordam: poucas coisas são menos cavalheirescas que enterrar a cara no smartphone durante um encontro!

cavalheiros guedes

Não existe cartilha nem receita de bolo! Nos dias de hoje o que manda é o bom senso. Portanto, rapazes, tratem de colocar a boa educação em prática. O gentleman de nossos dias dispensa fraque e cartola. Basta colocar-se no lugar do outro – ou da outra -, prestar atenção na pessoa amada e, acima de tudo, respeitá-la.

sexta-feira, 30 de março de 2012

Metrô: Manual de Instruções

Frente à completa inabilidade e confusão da população da Grande São Paulo em utilizar nosso luxuoso e ágil sistema de transporte subterrâneo, cá vão algumas instruções básicas para um melhor aproveitamento desse tão útil e aconchegante meio de transporte.



1 – Os meandros metroviários são populados por gente de todos os tipos. Gente que está passeando, gente que veio visitar a cidade, gente que está indo para o trabalho etc. Se você faz parte de um dos dois primeiros grupos, coloque a mão na consciência e aperte um pouquinho mais o passo. O metrô não é um videoclipe e você não é a Lana Del Rey para ficar saracoteando por aí toda lânguida. Agora, se as suas capacidades motoras não te permitirem caminhar a uma velocidade decente, ande pelos cantos dos corredores para não atrapalhar quem está com pressa.



2 – Se nem a Madonna sustenta mais fazer uma apresentação ao vivo sem playback o que você acha que te chancela a cantar dentro do vagão do metrô?! Bom, sua linda voz e afinação é que não. Espelhe-se nas grandes divas: DUBLE! Ninguém repara – a menos que você emende uma coreô.



3 – Não sei se vocês já ouviram esse velho dito chinês. É mais ou menos assim: “Tem sempre uma vadia que para na esquerda”. O provérbio versa sobre as inconvenientes pessoas que insistem em ficar paradas no lado esquerdo da escada rolante. O lado esquerdo da escada não foi feito para ficar admirando seu boy magia, nem para dar aquela respiradinha, nem para plantar bananeira. O lado esquerdo da escada rolante foi feito para pessoas apressadas, que, ao contrário de você, não estão com a vida ganha e precisam chegar no trabalho na hora. Até as lideranças políticas concordam com este argumento:

PSTU

* * *


4 – Seu tórrido caso de amor com o Wanderclayson do Almoxarifado é realmente muito interessante – para você. O resto das pessoas não precisa, nem quer, saber o que vocês fazem ou deixam de fazer quando o supervisor do setor vai tomar café. Se os pudores de revelar intimidades em público não te comoverem, pense que o seu supervisor pode estar no mesmo vagão que você.



5 – Os assentos sinalizados são de uso exclusivo de pessoas portadoras de necessidades especiais, idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo e cães malabaristas aposentados. Estando ausentes pessoas – e cães – nessas condições, o uso dos bancos é livre. As pessoas ainda se confundem muito com essa regra. Eu explico: Se seu filho tem mais de cinco anos e já consegue ficar de pé feat. equilibrar-se sozinho, ele NÃO é uma criança de colo; se você usar uma tiara com um par de orelhas e morder um pino de boliche, você NÃO é um cão malabarista, então pare de tentar bancar o espertinho! Se a Companhia de Transportes se deu ao trabalho de sinalizar TODOS esses bancos, é porque o pessoal realmente precisa deles. E outra, não lance laser eyes sobre quem usa os bancos preferenciais quando não há pessoas portadoras de necessidades especiais, idosos, gestantes, pessoas com crianças de colo nem cães malabaristas aposentados. A regra não diz nada sobre poltergeists, portanto o uso é LIVRE!



6 – Por mais que as pessoas reclamem, o metrô de São Paulo é bastante seguro. Pode haver furtos e casos de assédio sexual, mas existe um sistema muito eficiente de denúncia por SMS que já deu fim em muita gente engraçadinha. Então, é preciso dizer que os vagões NÃO PRECISAM DE PORTEIROS! Vai desembarcar na estação da Luz? Então por que ficar grudado na porta desde a estação Saúde?! Não sei se vocês já repararam, mas os trens do sistema metroviário paulistano são dotados de lindos CORREDORES. E eles se sentem muito desprestigiados quando não os usamos…



7 – Sei que você precisa bater cartão e que se você chega atrasado o chefinho desconta do seu salário no final do mês, mas ei! Peraí! Isso não é problema meu :D Portanto, tenha a bondade de esperar que as outras pessoas se retirem do vagão para que você adentre.

Não há muito o que concluir, a não ser FICA A DICA!